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sexta-feira, abril 30, 2004

As palavras mal entendidas 

Segue-se uma pequena lista de, citando Milan Kundera, “Palavras mal entendidas”. Para que termos tantas vezes utilizados nas últimas semanas fiquem, de uma vez por todas, bem explicados.

Vendedor ou angariador de publicidade. Nassalete Miranda, costuma deixar que vendedores ou angariadores de publicidade assinem textos no corpo do jornal de que é directora? É que, sabe, estive aqui a consultar coisas que escrevi enquanto trabalhava no “Pasquim”, e deparei com uma peça minha, assinada, que saiu no corpo do dito cujo (e não foi a única)... É política da casa deixar vendedores assinarem peças? Sabe que se trata de uma publi-reportagem, ainda por cima não devidamente identificada como tal? Sabe que não fui o único vendedor ou angariador de publicidade a fazê-lo? Sabe que outros antes de mim, e outros depois, o fizeram? Sabe que frequentemente estas “páginas especiais”, assinadas ou não, fazem parte do corpo do seu jornal? Talvez fosse importante saber-se se sabe ou se não sabe... É que se sabe, pactua com essa situação. Se não sabe, sempre vai tendo sorte enquanto vendedores e angariadores de publicidade escrevem, sem o seu conhecimento, textos que não envergonham o jornal de que é directora...

O Tarefeiro. Pois é meus amigos, os tarefeiros fazem publi-reportagens, assinam-nas e depois estas são publicadas no jornal. Este termo tarefeiro, convém esclarecer, é um tributo que aqui presto ao meu caro amigo Filinto, editor do “O Primeiro de Janeiro”. Não o conheço de lado nenhum, é certo, mas, ao que parece, ele gostou de mim. Primeiro, começou por dizer que eu, enquanto trabalhava no Janeiro, era tarefeiro. Depois ainda me dedicou, no seu blog, um carinhoso parágrafo. Sabes, Filinto, eu até acho que escreves bem (não acho nada, mas precisava de começar a frase assim para criar uma maior tensão dramática) no entanto vejo que confundes muita coisa. Então tu, cavaleiro andante da deontologia, defensor acérrimo do jornalismo límpido, permites (a omissão também conta, sabias?…) que sejam publicadas, no jornal de que és editor, publi-reportagens não identificadas como tal e, ainda por cima, assinadas por tarefeiros? Há aí um contra-senso qualquer, não te parece?... Ou então, não há contra-senso nenhum: pura e simplesmente existem páginas que são publicadas sem o teu conhecimento e, assim sendo, estamos falados quanto à tua influência enquanto editor... Sabes Filinto, eu até não me queria estar a meter contigo, deves ser bom rapaz e tudo, porém fazem-me confusão pessoas que, como tu, levantam o peito para falar de deontologia mas que, quando o chefe manda meter a deontologia na gaveta, das duas uma: ou dizes amén, ou foste tomar café e não sabes de nada. Por isso, aqui te deixo a sugestão: da próxima vez que o teu jornal resolver publicar as “Páginas Especiais”, faz peito firme, diz que é uma publi-reportagem, diz que tem estar inequivocamente identificada como tal, diz que não pode estar assinada pelo tarefeiro e diz que, enquanto editor mas, mais ainda, enquanto defensor inabalável da deontologia, não o irás permitir. Ou então faz outra coisa: vai escrever no teu blog. É mais fácil. Mas isso, caro amigo, já tu descobriste. Se calhar não tiveste outro remédio. Tem, no entanto, cuidado… Se fores coerente, ainda podes acabar despedido…

Jornalista. Foi o que li no anúncio a que resolvi responder quando comecei a trabalhar no Pasquim.

“Jornalista”. Forma carinhosa tantas e tantas vezes utilizada pelas mais variadas pessoas, por essa net fora, para me denominarem a mim e aos meus colegas.

“Equipa de reportagem”. Este é dos meus favoritos. Era a forma utilizada, várias vezes, por alguns cromos junto dos seus potenciais clientes, para me designarem a mim ou a algum dos meus colegas. É gratificante saber que eu com um gravador e uma câmara fotográfica sou uma equipa de reportagem.

Cromo. Comercial (ou vendedor, segundo o dicionário do Filinto. Para Filinto, ver “Tarefeiro”) Termo não necessariamente ofensivo. Acabou por, quase exclusivamente, só ofender alguns verdadeiros cromos.

Comments. Em princípio, deveriam servir para as pessoas poderem expressar a sua opinião sobre as coisas que se iam escrevendo neste blog. Infelizmente, houve várias personagens (não lhes posso chamar pessoas porque nunca se identificaram) que utilizaram essa liberdade para fazer deste espaço um local de troca gratuita de ofensas pessoais. Isso vai acabar. Todos os comments de baixo nível serão apagados e os respectivos ip’s bloqueados. Todas as pessoas educadas que visitam este blog merecem encontrar aqui um espaço que não as faça sentir enojadas. E eu os meus colegas bloguistas, ao lermos muitas dessas pérolas de má-criação, sentimo-nos dessa forma. Acabou. Criem um blog e escrevam lá. Chamem-no Diário de um Malcriado, Diário de um Curioso, Diário de um Destemido, qualquer coisa do género. Aqui, a partir da próxima semana, não escrevem mais.

Diário de um Jornalista – Blog que incomodou muita gente. Blog que foi apoiado por muita gente. Blog que irá continuar a incomodar. Blog que irá, estou certo disso, continuar a merecer o carinho de muitos cibernautas.

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quarta-feira, abril 28, 2004

Direito de Resposta 

A publicação de uma matéria, na edição do jornal "Público" da passada segunda-feira, tem vindo a suscitar uma polémica que, me parece, está em alguns pontos, viciada. Importa, assim, esclarecer esses mesmos pontos para que, daqui para a frente, só incorra nos erros que irei referir quem assim o desejar.
Nassalete Miranda, segundo o Diário de Notícias, afirma que os bloguistas despedidos eram pessoas que, e passo a citar, "trabalhavam no departamento comercial, vendedores ou angariadores de publicidade. Não despedi ninguém, jornalistas ou colaboradores da redacção",
Esta afirmação merece-me dois comentários. Em primeiro lugar, nem eu nem os meus colegas éramos, ou alguma vez fomos, vendedores ou angariadores de publicidade. Não é um desrespeito para esta profissão, é uma constatação de um facto. Estas palavras nada trazem de novo. No post "A 4 dias do 25 de Abril", identifiquei claramente que estava a falar do Departamento de Publicações Especiais e, mais especificamente, do Sr. José Freitas. Não me parece que, em momento algum, neste blog tenha sido mencionado o nome de Nassalete Miranda, ou que a tenha, de alguma forma, envolvido nos despedimentos denunciados.
O outro comentário que julgo ser pertinente, tem a ver com algo que, a meu ver, não foi perguntado, mas deveria ter sido. Lendo as declarações de Nassalete Miranda, e tendo em conta o conteúdo da peça assinada por Pedro Fonseca no jornal Público, atentando ainda no próprio conteúdo deste blog, parece-me que houve uma pergunta que ficou por colocar. Talvez Nassalete não soubesse responder à mesma, (é o mais certo, uma vez que o assunto nada tinha a ver com ela... O que me leva pensar porque terá sido pertinente fazer perguntas a alguém que, evidentemente, não era a pessoa que interessava ouvir), não sei, mas creio que seria do mais puro bom senso formulá-la. A pergunta é esta: "Esses, segundo afirma, vendedores e angariadores de publicidade, foram despedidos por causa do referido weblog?". É que, segundo me lembro, o que estava em causa era um conflito entre Liberdade de Expressão/Denúncia de Ilegalidades e Lealdade... Assim sendo, parece-me que esta questão era fundamental... Mas, como me quer parecer que a pertinência da entrevista devia ser outra, este contra-senso todo até deve acabar por fazer sentido... Adiante...
Num outro aspecto, apesar de concordar com a importância de se debater em alguns sites, nomeadamente aqui e aqui, se no DEPARTAMENTO DE PUBLICAÇÕES ESPECIAIS (escrevo em maiúsculas para que depois não me digam que, perdoe-se-me a expressão, "meto tudo no mesmo saco") do "O Primeiro de Janeiro" se vende publicidade como se fosse jornalismo, e todas as questões éticas e legais que daí derivam, parece-me que outros pontos não podem ser deixados para trás no meio de toda esta polémica. Esse pontos, a meu ver, são de uma importância fundamental. Falo das denúncias que eu próprio fiz, colocando os nomes nas pessoas que acusei dessas práticas pidescas: proibição, sob pena de despedimento, de se terem contactos com determinadas pessoas, pelo facto de estas trabalharem no "Comércio do Porto"; atitude persecutória em relação a comerciais que deixaram de trabalhar no "O Primeiro de Janeiro", mudando-se para o "Comércio", perseguição essa materializada em comissões que não foram pagas; não pagamento de 14 dias de trabalho a uma jornalista do Departamento de Publicações Especiais do "Janeiro" por esta, segundo as palavras do Sr. José Freitas, "ir para a concorrência".
Se menciono estas situações é porque as mesmas, independentemente de se verificarem num órgão de comunicação social, ou em qualquer outro ramo de actividade, prefiguram graves atentados aos mais elementares direitos individuais.
Quero também, para que a discussão não se perca em pontos sem interesse, frisar que, apesar de eu já o ter mencionado antes, este blog se refere a acontecimentos vividos no Departamento de Publicações Especiais. Assim sendo, ficam sem razão de ser muitas coisas que se foram dizendo por essa net fora, como se existisse por parte dos autores deste blogue alguma atitude persecutória conta a instituição "O Primeiro de Janeiro". Espero que este ponto esteja, de uma vez por todas, esclarecido. Os autores deste blogue, denunciaram, e vão continuar a fazê-lo, situações ilegais. Como trabalharam no referido Departamento, é ao mesmo que se referem. Exclusivamente, sublinho. E sublinho uma vez mais, porque parece que sou lido por muita gente que não sabe ler à primeira...
Pela minha parte, tenho apenas o seguinte a acrescentar: neste blogue foram feitas denúncias. As mesmas foram assinadas. Agora, por favor, não nos queiram imputar coisas que nunca escrevemos. Como já ficou explícito, não existe medo de batalhas, quando em causa estão princípios elementares de justiça.. Mas, também, não seremos arrastados para batalhas que outros criam e que, ainda por cima, tentam fazer parecer que fomos nós que as iniciamos...
Haja juízo e honestidade.

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segunda-feira, abril 26, 2004

A "Sugestão" e o que está depois do Guaraná... 

Foi sugerido - foi mais uma ordem do que uma sugestão - a dois jornalistas deste blogue que, pura e simplesmente, apagassem todos os posts. Ou seja, regressar ao ponto zero, ao ponto em que o blog não existia.
Isto levanta-me uma questão: porquê?
Vamos por partes. Se a pessoa que o sugeriu/ordenou entende que existe neste blog um profundo mau gosto estético, tem bom remédio: não o lê. Portanto, a questão não pode ser essa. Assim sendo, parece-me que poderá existir a preocupação de este blogue transmitir uma imagem negativa do "O Primeiro de Janeiro". No entanto, se este é o caso, das duas uma: ou o que neste blog foi escrito é uma mostra de ofensas gratuitas (não é, claro. Mas, se fosse, existem locais indicados para resolver essas questões. Mais a mais, isso só poderia dar má imagem dos próprios bloguistas), ou então foram aqui escritas acusações graves (note-se a diferença relativamente a "ofensas gratuitas") que podem dar má imagem do referido jornal. Ora parece-me evidente que, a não serem verdade, devem ser tratadas nos locais em que são penalizadas acusações infundadas. Querer que se apague tudo o que foi escrito já não se usa. Para ser mais preciso, já não se usa há precisamente 30 anos e um dia. Hoje, as práticas são diferentes. Assim sendo, se não é verdade, pode sempre processar-se a pessoa. Se é... Bem, se é... Se é... Se é... Nem sei.... Mas acho que, se fosse pedir a opinião a algumas pessoas, me diriam: apaga-se tudo...

PS - Estive a pensar em alguns comerciais que conheci enquanto estive no Janeiro. E, relativamente a um, nasceu uma questão na minha mente: um comercial passa meses e meses sem facturar publicidade: No entanto, não perde o seu emprego. Porque será? Será por ser boa pessoa? Será por ser bonito? Será por ter mística? Será do Guaraná? Mistério...


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sábado, abril 24, 2004

A saga continua... 

Subiu para três o número de jornalistas despedidos por causa deste blog. Uma nossa colega foi hoje, uma vez mais por causa do conteúdo deste espaço, dispensada do "O Primeiro de Janeiro". Não vou estar a repetir posts anteriores. O post "A quatro dias do 25 de Abril..." já diz tudo sobre esta situação. Mas importava, neste momento, actualizar (infelizmente) os números.
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sexta-feira, abril 23, 2004

SEMPRE 

Este post será pequeno. Como é evidente, depois dos factos que ontem relatei, impunha-se uma reflexão sobre o futuro. Este post é, precisamente, sobre o futuro. O futuro é que o "Diário de um Jornalista" prosseguirá. Gostando-se ou não das coisas que temos escrito, parece-me evidente que, pelo menos, já conseguimos que se falasse daquilo que se passa no "O Primeiro de Janeiro". Quem pensou que encerrava a questão despedindo dois meus colegas, enganou-se. Só nos veio dar mais força. Quem pensou que poderia, para sempre, continuar a viver, intocável, no seu feudo de tirania, estava errado. Quando as condutas são erradas, não existem intocáveis. Quem pensou que tudo se resolvia na base da arbitrariedade, estava errado. Existem, e recebemos (por mail, em comments, ou noutros blogs e sites) provas disso, muitas pessoas que, tal como nós, sabem que o futuro passa por condutas transparentes. O futuro não tem lugar para pessoas que nem no passado deveriam ter conseguido algum protagonismo. Quem pensa que o futuro será a perpetuação dos abusos do passado e do presente, está errado. O futuro começa aqui. Não existe forma de calar a voz deste blog. Se A não puder falar, falará B. Se B não puder falar, falará C. E por aí fora... Sucessivamente... E mesmo se, algum dia, as letras do alfabeto se esgotarem, novas letras surgirão por toda essa blogosfera... As palavras já foram lançadas, correm por todo o espaço cibernético. Não existe forma de as parar. E, pela minha parte, continuarão a sair sempre: para quem nos quiser apoiar, para quem nos quiser criticar, para quem nos quiser ignorar... O princípio básico é precisamente esse: não existe forma de parar as palavras deste blog. Ontem, hoje, amanhã, SEMPRE. Depois da arbitrariedade, depois do abuso, depois do despotismo, o Diário está aqui. Como tem estado sempre. Como, por muito que isso doa a gente que já não tem lugar num mundo LIVRE, continuará sempre a ESTAR. Uma vez mais, e para terminar, Ontem, Hoje, Amanhã, SEMPRE.

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quarta-feira, abril 21, 2004

A quatro dias do 25 de Abril... 

Faltam quatro dias para se comemorar o 30.o aniversário do 25 de Abril. Hoje, dois jornalistas que escrevem neste blog foram DESPEDIDOS por causa do conteúdo do mesmo. Afinal, a liberdade de expressão continua, muitas vezes, e por parte de pessoas profundamente mal formadas, a ser letra morta.
Sempre, ao longo da polémica que este blog foi gerando, defendi que ao centrar-se a discussão nas eventuais diferenças entre jornalismo e “jornalismo”, se estaria a deixar passar o essencial da questão. Infelizmente (não por mim, uma vez que eu em nada dependo do “Primeiro de Janeiro”, mas sim pelos meus colegas) o tempo veio dar-me razão. O essencial era o ambiente ditatorial que já quando eu trabalhava no “Janeiro” se fazia sentir e que, como é evidente, ainda hoje permanece inalterado. O essencial era a tremenda pressão psicológica a que aqueles profissionais se encontravam sujeitos. O essencial é que o Departamento de Publicações Especiais do “Primeiro de Janeiro” é um local onde impera a arbitrariedade, a ditadura, onde proliferam os “cromos” que, para além de “cromos”, são bufos, delatores, e outros adjectivos ainda menos simpáticos...
A pessoa responsável por esse departamento, O Sr. José Freitas, é um indivíduo que cultiva um ambiente repressivo. É um indivíduo que, por várias vezes assisti a essa situação, lida com “cromos” e jornalistas, de forma amiúde, na base do insulto e da coacção psicológica. É claro que cada um se sujeita àquilo que quer. Eu não me sujeitaria a determinadas coisas mas, durante os nove meses em que trabalhei no “Primeiro de Janeiro”, nunca esse senhor teve a infeliz ideia de se dirigir a mim nos termos em que, frequentemente, se dirige às outras pessoas. Seria a primeira e a última vez.
Casos como o que já relatei (da jornalista que ficou sem receber 14 dias de trabalho, ou da ordem para não se ir ao café onde estariam comerciais do “Comércio do Porto”) eram frequentes. Outros existiram, de pessoas despedidas de forma arbitrária, de comerciais que ficaram sem receber as comissões a que tinham direito (inclusive, o “Primeiro de Janeiro” está, conheço um caso concreto, a ser processado por causa dessa situação).
Hoje, dois jornalistas foram despedidos porque um dos bufos foi contar ao Sr. Freitas que este blog existia. Assim, eles foram sumariamente despedidos.
Se agora refiro nomes, faço-o porque creio que estas coisas têm que mudar. Não faz sentido andarmos a festejar trinta anos de liberdade de expressão e, depois, depararmo-nos com situações como esta. Não o fiz antes, unicamente, para salvaguardar a posição desses meus colegas.
Hoje, como é lógico, já não faz sentido agir dessa forma. Hoje, mais do que nunca, importa DENUNCIAR estas coisas que acontecem no jornal “O Primeiro de Janeiro”. Não o faço de uma forma irresponsável. Faço-o com plena consciência de que as pessoas que estou a acusar de tomarem as atitudes que explanei, vão ler estas palavras. Mas, nada temo porque sempre disse apenas a verdade. E digo-a aqui, agora, como a direi em todos os locais onde me sejam postas questões relativas aos factos que denunciei. Já dei nomes às coisas, já dei nomes às pessoas, só falta, mesmo, dar o meu: Ricardo Simães.

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Viagem ao reino da insanidade... 

Segunda-feira, 8 horas da "madrugada". As carreiras de "formigas" dirigiam-se atarefadamente para o emprego só que, ao contrário das suas congéneres animais, entupiam caoticamente todos os espaços negros traçados a branco e amarelo a que alguns doutos chamam de alcatrão. Enquanto fecho a porta de casa e confirmo mentalmente se levo o equipamento necessário para iniciar a minha viagem ao que, mais tarde, apelidaria de "reino da insanidade", elevo o meu braço esquerdo onde repousa, dorminhoco, o meu mestre, o meu guia…o meu iluminado relógio!
"Não estou atrasado", penso eu. E não estava, como já é meu hábito. Desço a rua num passo vigoroso, porém calmo, cumprimentando aqui e além os rostos que vagueiam as minhas memórias desde a infância. Espalho uns "bons dias" um pouco secos, próprios de quem não quer ainda reconhecer que está de saída, pensando encontrar-se a vaguear num limbo obscuro, onde a realidade nunca é o que parece. Chego ao local de encontro, onde o cromo do costume me aguardava. Aparentava ter um ar atarefado, talvez fingindo que a curiosidade não o invadia, que nem uma criança em noite de Natal, imbuída da ânsia de abrir os presentes. O meu olhar não mudou. Continuava, quedo e mudo, a olhar para a figura: magro, cabelo todo arranjado, fato azul e gravata a condizer. Cumprimentou-me extasiante, esperando - quiçá - uma resposta igual. Não a obteve. Em troca recebeu uma frase desértica do tipo: "Bom dia, vamos?".
Iniciamos a nossa viagem falando dos temas mais vagos que podem imaginar, num diálogo merecedor de um dos afamados "desbloqueadores de conversa" com que Nuno Markl e companhia nos presenteiam matutinamente.
O veículo (se é que é merecedor desse nome) era um Fiat Panda 750d, que teimosamente ainda não tinha morrido: o capot não fechava em condições, os travões eram praticamente inexistentes, as portas eram uma fina película de metal e, pior do que tudo, não se podia fumar no seu interior. Ainda inquiri a mim próprio se aquele "(es)carro" seria um parente afastado da "nossa" DV, mas perante o horror de uma resposta positiva, desisti de pensar no assunto. Adiante.
Da viagem, prefiro não me prolongar na narrativa. Basta somente saberem que a nossa meta distava uns meros 55 quilómetros do Porto. Ainda assim, esperavam-me dois dias de intensa loucura, numa fronteira onde o mundo da realidade e da fantasia se cruzam…o reino da insanidade.
Tirei algumas ilações da nossa curta jornada: o "cromo" era-o em todo o esplendor da palavra. Despistado, "trengo", chato, enfim, tinha todas as características aplicáveis a esse género sub-humano que diariamente co-habita os nossos espaços. Fiquei com a certeza absoluta que eles estão entre nós, prontos para a conquista do Mundo (não é, Mr. Bush???).
Chegados ao nosso destino, senti que o cromo estava perdido, sem saber o que fazer, sem saber para onde ir, sem saber o que dizer, sem saber com quem falar. Pensei para mim: "Este tipo só pode estar a brincar comigo…" Como eu me encontrava equivocado! Não só as minhas piores previsões se confirmavam, como ainda tive de levar com a ladainha do costume: "Ainda não estou bem habituado a isto", dizia de quando em quando. "É assim que funciona, não é", inquiria frequentemente.
E eu, já gasto com tanto "lero-lero", limitava-me a acenar afirmativa ou negativamente, consoante a ocasião e a questão. Fiz questão de passar dois dias assim, vagando entre a realidade dura das respostas negativas dos entrevistados e a insanidade que, curiosamente, me tinha calhado por escolha própria.
Gostaria de fazer aqui um pequeno parêntesis (pronto, já fiz) para dizer que esta semana não jogarei no Totoloto. Definitivamente!
Voltando à narrativa, andei assim durante algumas horas. Só durante as refeições tinha algum descanso, pois deixava a minha mente calcorrear as avenidas de cheiros e sabores que passavam pelos meus órgãos sensoriais. Encontrei, de facto, nestes pequenos momentos, um aprazível escape para a insanidade que me acompanhava. Também os momentos passados no WC me deixavam algum tempo para retemperar forças, pois a minha psique, como bem a definiu Freud, estava como um Pentium I a 155 Mhz: quase a "crashar"!
Durante o sono, ocorreram-me os mais variados pensamentos: "Se o dia de amanhã for assim, vou dar em doido"; "Que saudades tenho da minha baixinha!"; "Será que o cromo ainda não se apercebeu do ridículo da situação", etc., etc., etc...

Dia II

Terça-feira. Acordei estranhamente bem disposto. Tinha conseguido recarregar adequadamente as minhas baterias durante a noite. Banho tomado, roupa vestida e toca a tomar o pequeno-almoço! Durante todo este período, só durante o repasto estive acompanhado, mas parecia que estava só. E que bem isso me sabia!...
Voltamos a fazer-nos à estrada. Quilómetro atrás de quilómetro, o cromo fazia as visitas usuais, com a grande diferença que, desta volta, não o acompanhava. Não valia a pena, já sabia o que me esperava, pelo que decidi aproveitar este pouco tempo de paz e sossego para pensar na minha vida. Assim foi até à hora de almoço, onde continuei a saborear os aromas que invadiam os meus sentidos.
Depois do repasto, nada de novo a acrescentar. Tudo na mesma, até o seu insistentemente falível sentido de orientação que, de quando em quando, era quebrado por aquele super-poder que, felizmente, não está ao alcance dos cromos: a lógica e o poder de observação. Graças a estes dois vectores de inteligência humana que, naquele veículo só eu possuía, conseguimos chegar, sãos e salvos até ao local onde nos tínhamos encontrado um dia antes.
Dois dias de viagem ao reino da insanidade, onde nada é o que parece… para mal dos meus pecados! Chegado a casa, só me ocorreu aquela frase dita por esse grande líder que era Martin Luther King, Jr., num famoso discurso proclamado em frente ao Washington Memorial na década de 60 do século passado: "Free at last, free at last! God allmighty, we're free at last!"

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segunda-feira, abril 19, 2004

Esclarecimentos... 

Não entendo toda a celeuma que este nosso blog está a gerar por essa net fora.
Começamos por ser falados pelo Jornalismo e Comunicação e, logo de seguida, fomos atacados pelo Ponto Media. Daí até sermos enxovalhados pelo ContraFactos & Argumentos foi um instante.
Esclareço, da minha parte, o seguinte:

Este blog começou por ser um espaço só nosso, onde pudessemos desabafar e escrever o que nos ia na alma. Os ataques começaram logo no primeiro dia e não partiram de nós.
Se somos Jornalistas ou se somos "jornalistas", a mim não me interessa. O meu contrato de trabalho diz que sim. A comissão da carteira achou por bem emitir-me a carteira profissional. Faço os meus descontos para a caixa de previdência dos jornalistas.
Não sou Jornalista? Sou "jornalista"? E depois? Quero lá saber. Não é por causa disso que vou deixar de relatar aqui as minhas experiências. Quem sabe se não são elas que vão abrir os olhos aos mais incautos? Áqueles que pensam que, fazer Jornalismo em Portugal é ser-se um José Rodrigues dos Santos ou uma Fátima Campos Ferreira, enquanto que, ser-se "jornalista" é ser-se um pobre coitado, reles ser humano que faz um miserável trabalho de vão de escada, mas vá lá, num órgão de comunicação social dito sério, credível e isento.
Apontem-me um só jornal que reúna estas três simples características e calo-me logo.

Aproveitem, isso sim, a oportunidade de debater e discutir o estado em que se encontra o Jornalismo e o "jornalismo" em Portugal. Ou esquecem-se das centenas de profissionais que acabam o curso todos os anos e que vêm todas as portas fechadas porque, na maioria das redacções, o que (ainda) vale é o Factor C (cunha), A (amigo) ou F (familiar)?

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D & D 

Desporto & Desenvolvimento, ou D & D é um dos suplementos que é editado por outro pasquim que faz parte do "Grupo" do pasquim. Confuso? Eu explico:
O Pasquim-mor é apenas um de três pasquins onde nós (orgulhosamente!!!) trabalhamos. E, como são três os pasquins, acham por bem dizer que aquilo é um Grupo. Se se associar a dezena e meia de outros pasquinzolas regionais e uma radiozeca local, então, sim, aquilo é um Grupo à boca cheia.
Mas, adiante, que se faz tarde...

Um dos cromos, odiado por 99,9 por cento dos jornalistas, lembrou-se de inventar um suplemento a que, pomposamente, chamou "Desporto & Desenvolvimento em..." Aquilo é uma miscelânia de coisas porque dá para incluir, no mesmo suplemento, para além do desporto e do desenvolvimento, o turismo, a cultura, a gastronomia, e mais o diabo a quatro.Vai daí, toca a contactar aquelas entidades que mais se enquadram neste capítulo e que podem esbanjar para este pasquim nacional: as juntas de freguesia.

E, à conta do D & D, andamos nós a correr e a percorrer este País, cansado, a reboque de uma Europa desgastada, à cata de verbas que as Juntas (não) têm para despender. Passamos dias seguidos fora de casa, privados do aconchego dos nossos lares e sem a nossa família, para aturar, não só estes valentes cromos, como os ignorantes que se nos atravessam à frente... Em troca desse "favor", lá são publicadas as entrevistas que fazemos aos (in)cultos presidentes de junta. Dão-se largas à imaginação (entenda-se, damos nós largas à imaginação), porque já é bom um presidente de junta conseguir proferir uma frase com sujeito e predicado e cá vai disto. Mais meia de fotos para "encher" a página e siga pra bingo...

Pelo meio da entrevista, lá vem o choradinho do costume: "Ó pá, não temos dinheiro; a câmara não paga; os subsídios não chegam". Nada a que não estejamos já habituados. No final da história, contas certas, contas feitas: 300 contitos de publicidade e ala que se faz tarde. É que, até às 11 da noite ainda é dia e ainda há muito pacóvio para enganar. Nada mau, pensamos nós. Isto, se tivermos em conta que muitas destas juntas de freguesia não têm saneamento básico, não têm água canalizada e não têm, sequer, habitantes para ocupar as meia dúzia de casas que povoam a freguesia, quanto mais desporto, desenvolvimento, turismo, cultura, gastronomia, e mais o diabo que os valha a todos.

É triste, revoltante e lamentável que, a troco de uns míseros 10 ou 15 por cento de comissões, muitos destes cromos se sintam na "obrigação" de enganar e ludibriar estes pobres coitados que não têm, muitos deles, cinco tostões furados para mandar tocar um cego.

E, como diz o meu colega Karl Macx, "isso irrita-me profundamente"...

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Exercício de memória... 

O Pasquim tinha coisas giras... Quer dizer, coisas que, se não fossem muito tristes, até poderiam dar vontade de rir... Havia, bem perto do Pasquim, um café que, após as horas de labuta, era frequentado por “cromerciais” e alguns jornalistas do pasquim... Era, como alguém, numa rara tirada de inteligência, certa vez afirmou, o “sindicato”... Um dia contudo, tudo mudou... “Cromerciais” do Pasquim começaram a passar para a concorrência... Jornalistas do Pasquim começaram a passar para a concorrência... no entanto, e uma vez que a concorrência se situava nas imediações deste “Pasquim”, colegas e ex-colegas continuavam a encontrar-se, fora das horas de expediente, no seu “sindicato”... Esta coisa de cromerciais e jornalistas se passarem para o outro lado (algo perfeitamente legítimo se tivermos em conta o ambiente de “cortar à faca” instalado no Pasquim) nunca foi bem visto pelas cabecinhas pequenas que ocupavam locais de chefia... Basicamente, utilizando uma metáfora, deixar a religião do Pasquim dava direito a excomunhão e, porque não?, perseguição ao melhor estilo dos tempos da Santa Inquisição...
Ora certo dia, argumentando supostas fugas de informação, o rei lá do sítio mandou sua majestade, a Raínha do Chega às 6 e dá de frosques, comunicar à redacção uma decisão que, no mínimo, era pidesca... A partir desse dia, todos os elementos do Pasquim, SOB PENA DE DESPEDIMENTO, estavam PROIBIDOS de frequentarem esse café ou de, fosse em que situação fosse, CONVERSAREM com pessoas que trabalhavam na concorrência... Evidentemente, marimbei-me para esta “ORDEM” e continuei a falar com as pessoas que, por esta ou por aquela razão, sempre me mereceram o maior dos respeitos. Mas, sei-o, corri o risco de, por simplesmente não ceder em algo que desde pequenino me ensinaram (respeitar os outros, ter carácter), SER DESPEDIDO.
Às vezes, existem pessoas que acham que o que aqui se tem escrito é muito pessimista, exagerado até... Não é. Tal como o post anterior, também este nada mais foi, da minha parte, do que um mero exercício de memória...

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domingo, abril 18, 2004

Era uma vez... 

Era uma vez uma jornalista... Era uma vez um “Pasquim”... Era uma vez uma história que não correu bem...
Era uma vez uma jornalista. Tratava-se de uma profissional talentosa e extremamente competente. Um certo dia, pouco depois de ter concluído a sua licenciatura, começou a trabalhar no “Pasquim”...
Era uma vez um “Pasquim”. No “Pasquim” não existia consideração nenhuma pelos profissionais que, apesar de tudo, ainda eram aquilo que evitava o seu completo desaparecimento...
Era uma vez uma história que não correu bem. Um dia, essa jornalista foi convidada para trabalhar num outro jornal. Por sinal, na “concorrência”... Ora, a proposta era aliciante. Mas, como era comum no meio da comunicação social, a jornalista tinha que decidir no espaço de um/dois dias e, caso aceitasse, teria que começar a trabalhar de imediato... A jornalista, consciente das condições (não) existentes no Pasquim, consciente do autismo que caracterizava as chefias do mesmo, sempre indiferentes às mais básicas reivindicações dos seus profissionais, decidiu (e muito bem), aceitar a proposta que lhe fora feita. Assim sendo, iria deixar de trabalhar no Pasquim... Até aqui tudo bem, afinal jornalistas a entrarem e a saírem era extremamente comum nesse “Pasquim”...
Contudo, e é aqui que a história começa a correr mal, esta situação ocorre entre o dia 12 e o dia 14 de um mês determinado... A jornalista, como a quase totalidade dos seus colegas, trabalhava sem um contrato de trabalho e, pior ainda, nem sequer passava recibos verdes... Como era prática comum no Pasquim, tinha que arranjar facturas de almoços, gasolina, etc., no valor do seu ordenado...
Tendo tomado a decisão acima referida, foi da mesma dar conhecimento ao responsável do Pasquim... O que ela temia era que não lhe pagassem esses quatorze dias de trabalho... Claro que isto não faria, em princípio, sentido algum. Porém, no Pasquim, as pessoas que mandavam eram tacanhas, desumanas e, acima de tudo, desprezíveis e más... Ao dar conhecimento da sua decisão ao responsável pelo Pasquim, a jornalista frisou que iria, nesse mesmo dia, terminar todos os textos que tinha pendentes. Entendia, como profissional competente e, acima de tudo, como pessoa com princípios, que era sua obrigação não deixar os seus trabalhos “a meio”. O responsável ouviu-a com atenção, mandou-a ir concluir os seus textos e disse-lhe para, quando tivesse terminado, voltar a falar com ele.
Assim aconteceu. Passadas umas horas, a jornalista estava, novamente, frente a frente com o responsável... Foi então que o responsável a informou que, “uma vez que vai para a concorrência”, não lhe iria ser pago nem um dia desses quatorze que já haviam passado nesse mês... Mais, disse-lhe para ir imediatamente embora sem sequer se despedir dos seus colegas jornalistas...
Eu estava aqui a escrever esta história, e estava a pensar que talvez, neste ponto, a jornalista se devesse ter queixado no tribunal de trabalho... Isso porém, não é o mais importante. Não é importante porque: (continuando a história) a jornalista acabou por se dar bem no seu novo emprego e, depois, soube que, apesar de tudo, naquele dia tomara a decisão certa. Importantes, importantes, são os tiques salazaristas que, nesta história, o responsável do Pasquim demonstrou... Importante é a formação moral de alguém que, nesta história, até era responsável pelo Pasquim... Importante, importante, é que esta história, como já compreenderam, é de facto sobre uma jornalista talentosa, é de facto sobre um Pasquim e, uma vez mais, é de facto uma história que correu mal... Mas, acima de todas as coisas, é uma história em que eu, narrador, não utilizei a imaginação para nada. Bastou-me a memória. Como já compreenderam, esta história aconteceu mesmo. Com uma jornalista. E no Pasquim.

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sexta-feira, abril 16, 2004

Achtung!!! 

Este nosso (vosso) espaço tem sido alvo de alguma polémica e muita celeuma, com cada um a defender convenientemente os seus interesses, o que é perfeitamente compreensível. Afinal, como diria Herman José personificando essa grande sexóloga, a Dra. Rute Remédios, "as opiniões são como as vaginas! Cada um tem a sua e se a quiser dar, dá-la, certo?" Certo!
Acima de tudo, acho que me cabe a mim, enquanto mentor deste projecto (aqui assumo a minha responsabilidade, se mais fosse preciso!) esclarecer algumas dúvidas que entretanto foram surgindo.

Este espaço foi concebido como sendo um local onde os jornalistas do "pasquim" pudessem dar asas à sua frustração, face às "orelhas moucas" que grassam pela editoria e pela direcção. Como em todos os órgãos de comunicação social, no "pasquim" existem problemas que, infelizmente, talvez devido à mentalidade tacanha que assola quem está acima de nós, não são resolvidos, apesar das constantes reivindicações. Problemas esses que passam pelas condições de trabalho, independentemente de outras que diariamente surgem.
É, também, um espaço de crítica mordaz, de caricatura do nosso próprio trabalho, dos nossos "COLEGAS" comerciais, das atitudes de prepotência e de jactância com que analisam o nosso trabalho, característica muitas vezes comum ao departamento editorial que, acima de tudo, deveria saber aquilo por que passamos.
É, também, um espaço de reflexão sobre as actuais condições de trabalho nos jornais portugueses. O nosso não é excepção. Os departamentos comerciais são o âmago de qualquer publicação periódica! Sem nós, não haveria dinheiro para mandar imprimir jornais!!! Não temos reconhecimento do valor do nosso trabalho e, por isso, utilizamos este espaço, conscientes dos riscos que corremos, para expressar a nossa frustração!!!
É, também, um espaço onde podemos descredibilizar o sistema, que teima em não reconhecer os redactores dos departamentos comerciais como jornalistas! O nosso trabalho é tão ou mais sério que muita "pseudo-notícia / reportagem / entrevista" que por aí se vê, se lê e se ouve, mesmo em periódicos reputados de Norte a Sul do País!! O nosso trabalho não é camuflado, fazemos as entrevistas com o mesmo carácter sério, tentando mostrar aos nossos leitores que existem graves problemas nos mais variados domínios, mesmo se no rodapé da página está uma publicidade à empresa! Não camuflamos o nosso trabalho seguindo linhas editoriais ambíguas, muitas vezes descaradas de protecção de poderes instalados e indivíduos!! Essa é a diferença! Assumimos a publireportagem como a nossa realidade, mas tal não invalida nem a qualidade nem a seriedade do nosso trabalho, antes pelo contrário, fazer publireportagem é, na minha opinião, estar constantemente a tecer exercícios de cidadania, de cultura geral e/ou específica, de mentalidades, é transmitir a realidade, independentemente de "fulano" ou "beltrano" ter acordado em pagar determinado espaço publicitário!
É, por fim, um espaço de transmissão do conhecimento das nossas realidades, vividas diariamente, com todo o stress de ter de "fechar cadernos" ou de aturar atitudes prepotentes vindas de quem, acima de tudo, nos deveria agradecer por executarmos o nosso trabalho o mais profissionalmente possível, facto que muito jornalista "bem cotado" não faz...

Por tudo isto, este comentário era necessário para que, de uma vez por todas, se demonstre que as situações vividas na redacção não são cor-de-rosa. Só quem aqui está sabe pelo que passamos!
Diz o povo e com razão: "Quem não se sente, não é filho de boa gente"...


PS: Dois comentários adicionais que nada têm a ver com este assunto, mas já agora...
1 - Surgiu, paralelamente a este nosso (vosso) blog, o Diário de Uma Jornalista no Desemprego... visitem!
2 - Aconselho vivamente a leitura de "Ainda Bem que Pergunta - Manual de Escrita Jornalística" de Daniel Ricardo, pela Editorial Notícias. Para jornalistas tarimbados, estagiários, estudantes e professores de Jornalismo e para o cidadão comum!


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Alguém me pode legendar uma legenda?... 

Tempos houveram em que, perante a frequência das chamadas “gralhas” nos cadernos especiais, Sua Majestade a “Rainha do chega às 6h e dá de frosques”, anunciou, em tom solene, que a partir dessa data, todos os jornalistas teriam que, ao fazerem os seus textos, colocarem nos mesmos a legendas das fotografias que os ilustrariam...
Nunca achei que isto fizesse muito sentido... É que fazer legendas sem saber que fotografias é que vão ser utilizadas, deve ter uma lógica qualquer que, sinceramente, já então me escapava e, para ser franco, ainda agora me escapa... Não sei, se alguém me explicasse isto, eu seria um tipo mais feliz... Mas enfim...
Bem, a verdade é que um gajo tem que se desenrascar e o resto é treta... Assim, a única forma que me pareceu plausível para contornar esta regra absurda, foi efectuar legendas o mais genéricas possíveis... Daquelas que não dizem nada, mas pronto, parece que dizem alguma coisa... Assim pensei, assim o fiz...
Um dia, estava a fazer legendas para acompanharem um texto sobre Toxicodependencia e, à falta de coisinha mais genérica, lá escrevi que “na Comunidade X o «encontro» é a força motriz”... Legenda parva todos os dias mas, ainda assim, a dar ideia que significava alguma coisa...
Ora, meus amigos, quando finalmente vi esse suplemento nas bancas, compreendi que sempre subestimara a capacidade criativa da “Raínha do chega às 6h e dá de frosques”... Estou em casa descansadinho, a dar uma vista de olhos ao texto e, de súbito, reparei na legenda... Admito: tive que a ler umas quatrocentas e noventa e sete vezes para ter a certeza que não estava bêbedo ou coisa que o valha... Eu sei, quando sua excelência digitou a legenda na paginação final, deveriam ser uma 5h59 e, portanto, a coisa tinha que ser feita à pressa.. Eu entendo isto... Epá, só não entendi foi o raio da legenda... E hoje, passado este tempo todo, raios partam a minha estupidez, mas ainda permaneço sem a compreender: “Na comunidade Y o «encontro» é a força MATRIX”?!?!?!? Alguém me explica isto?... Ó Raínha do chega às 6h e dá de frosques, é mesmo caso para dizer: deve passar cada filme nessa cabeça...

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quinta-feira, abril 15, 2004

CARTA DE AMOR... 

Querida DV:

Que saudades tenho tuas, meu grande chasso... Não me recordo, em toda a minha vida, de alguma vez ter conduzido uma coisa em tão mau estado... Pegar em ti (não é ao colo, claro) era sempre a possibilidade bem real de não mais regressar ao “pasquim” (este nome tá giro. Sempre é melhor do que link). Nem, já agora e para ser exacto, a parte alguma...
Ainda por cima, nunca mais poderei esquecer a contínua generosidade com que a moça que distribuía os carros (nos últimos tempos em que trabalhei no “pasquim”) insistia para que te levássemos. Nós bem tentávamos que nos caísse outro carro, mas não, a moça gostava da ti, não queria que tivesses uma velhice solitária e, assim sendo, arranjava sempre um jornalista para te fazer companhia...
Ainda me recordo de um sábado em que fui fazer uma entrevista a Viseu: chovia torrencialmente, o vento uivava de todos os lados e eu lá ia, sentado ao lado de um “cromo” sénior, pelo IP5 fora, mais consciente do que nunca do que significa estar “alapado” no “lugar do morto”... Recordo-me que, ao regressar, o temporal piorara e, melhor ainda, era já noite cerrada... Que alegria senti! A cada curva, pensava “é desta”, mas ainda não era... Depois, com os teus faróis potentíssimos, estava sempre a ver quando é que um carro que viesse em sentido contrário não nos veria e faria (vês DV? Começo a falar contigo, e dá-me para a poesia... Até rimou...) uma ultrapassagem na altura certa... Que sábado emocionante! Nunca mais o esquecerei. Foi perfeito: primeiro, uma hora e meia de viagem à espera que chegasse a mítica personagem da foice (não, não estou a falar do Cassete Carvalhas, nem nada do género. É da morte mesmo..). Depois, duas horas de entrevista. Chata como o raio que a parta... O entrevistado não se calava... Eu, depois da emoção da viagem, quase que adormecia... E depois ainda, a viagem de regresso, fabulosa, a imaginar os meus colegas transtornados pelas notícias que segunda-feira os esperariam...
Mas não. Chegaste (não sei como!!!) e segunda-feira lá estava eu no “pasquim”...
Sabes DV, um dos melhores momentos que passei no coisa e tal foi, precisamente, no teu regaço...
Lembras-te quando fomos para S. Pedro do Sul (sozinhos, graças a deus), de manhã cedo, aturar um parolo qualquer que não valia um chavo mas que, pelos vistos, tinha “qualidade”?... Claro que chegamos atrasado, claro que despachei a entrevista em três tempos. Fiz-me ao caminho de regresso e, subitamente, tive aquela ideia brilhante: parei numa área de repouso e... exactamente! Dormi aquela horita e meia que me soube pela vida!
Ah bendita DV! Nesse final de manhã/princípio de tarde foste a cama que o trabalho escravo me tinha roubado a horas de galo... Bem hajas DV! Eras tão chasso que um gajo podia demorar três horas do Porto à Maia, pôr-te as culpas e isso ser credível... Deus te proteja DV! Não tinhas rádio, mas o roncar do teu motor velho, parado num semáforo, batia o melhor estéreo de qualquer parolo que estivesse nas proximidades...
Bendita sejas sempre DV! Acabada, vencida mas, ainda assim, imbuída de um orgulho impróprio para a tua condição real, eras a mais fiel imagem do nome que, por esse país fora, denunciavas nas tuas letras azuis (refiro-me ao nome do pasquim, é óbvio)...
Um dia DV, faço o que o JRP sugeriu: armo-me em gandulo e trago-te para minha casa! Limpo-te esse nome do lombo, pego nas chaves da tua ignição, mando-as para o Suriname num envelope sem remetente, e finalmente descansas! Tu e, já agora, os meus colegas jornalistas... É que uma coisa é bem verdade, querida DV: por muito que eu te ame (sou tão generoso nos meus afectos...), és o chasso mais perigoso onde eu alguma vez me sentei... Mas não tens culpa disso... Portanto, mesmo perigosa como o raio que te parta, amo-te e amar-te-ei sempre! DV, acho que mais palavras se tornam desnecessárias: este post é todo para ti!
Sempre teu,
Ricardo.

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quarta-feira, abril 14, 2004

Um longo dia... 

Em continuação às reinvidicações dos meus colegas no que concerne ao trabalho até às altas horas da noite e entrevistas fora de horas ou ao fim-de-semana, também quero deixar aqui mais um reparozito a estes cromos.
Na última quinta-feira, vésperas de um feriado, às 21 horas lá fui, por acaso até fui muito bem acompanhada, para uma entrevista num bar perto da praia. Poderiam pensar que bom, depois do trabalhito podia ir tomar um copo, pois ainda para mais estava com o namorado e coisa e tal.
Pois, mas as coisas não foram bem assim.
Às 21h estava eu, pontualíssima, frente ao local da entrevista, depois de ter saído às 20h do trabalho e ido jantar à pressa a casa.
Impacientemente fui olhando para o relógio. Eram 21h15m, depois passado mais um pouco eram 21h30m. E os minutos lá foram passando, mas continuei a olhar para o meu relógio - sim, ainda consegui comprar um, mesmo ganhando uma miséria - e eram já 22h. Bem, o meu entrevistado apareceu de Mercedes, muito descansado, às 22h20m.
Olha, que passamos por cada coisa...
Sabem a que horas cheguei nesse dia a casa, depois de um dia cansativo de trabalho neste pasquim? Já passava da meia-noite, vejam isto!>
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O regresso da sucata 

Depois de uma viagem no novíssimo Clio, eis que me esperava hoje uma pequena ida à fotografia, com o pior dos carros existente face da terra.
Este pasquim possui, desde o século passado, um majestoso Fiat Uno comercial. Branco, mas cinzento, de momento, a virar para o preto, dada a falta de uma lavagenzinha... E, acrescente-se, um verdadeiro atentado à segurança do condutor que tenha o azar de, este lhe cair na rifa.
Semana sim, semana sim senhor, eis que a DV (é a forma como o tratamos e corresponde às letrinhas da matrícula) regressou da sua prolongada estadia na oficina, para mal dos nossos pecados... A última vez que "saiu em serviço", por pouco não ardia em plena Ponte da Arrábida!!!
Adorava saber quanto é que já foi gasto em reparações, vistorias, afinações e o diabo a quatro. E, o pior, é que aquilo não arde nem desaparece do mapa... dura e dura e dura e dura...
E cá andamos nós, a 90 km a hora na autoestrada (andar a uma velocidade superior, só por conta e risco de quem o conduz).
Sugiro que contratemos uns gandulos para lhe dar sumiço e merecido descanso eterno, já que, quem de direito, não pensa na segurança quem a conduz...

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Mais uma... 

Depois de tantas queixas e lamúrias, aqui vai mais uma.
Ora, segundo o que nos dizem aqui no pasquim, como alguém já lhe chamou e não poderia ter sido descrito de um outro modo, as coisas estão a acalmar, menos entrevistas, enfim menos trabalho e desta forma vão contratar mais um jornalista, mais um companheiro de luta, isto se ele aguentar mais do que um dia. Sim, isto é um facto mais que verdadeiro. Nos últimos tempos que este magnífico pasquim, ironicamente entenda-se que afirmo isto, não consegue contratar alguém nem que seja por mais de um semana, pois vêm trabalhar um dia e no dia seguinte telefonam a avisar que não vêm mais ou simplesmente nem aparecem. Porque será? Alguém é capaz de responder?
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Bem, isto para mim é um pouco como regressar ao... (acho que não se pode dizer o nome mas, se forem ao primeiro post, tá lá um link...). Passo a explicar: trabalhei no (ver link) durante nove longos e penosos meses. Felizmente, num acesso de lucidez (sim, às vezes também tenho dessas coisas), despedi-me. Novamente me vi livre. Novamente compreendi a razão dos dias existirem, novamente senti que a vida está cravejada de coisas bonitas... Bem, poesias à parte, a verdade é que sair do tal e coisa me fez muitíssimo bem!
Foi um dia brilhante esse: senti que as noitadas de trabalho (uma contradição em termos, não acham?!?) tinham acabado, senti que renunciara à exploração, soube que não mais teria que aturar cromos como os que estão na caderneta e outros ainda, soube que sobrevivera a esses nove meses e, no fim de tudo, descobria-me vivo e, principalmente, FELIZ!
Portanto, escrever neste blog é um pouco regressar ao... (possa, dava mais jeito escrever o raio do nome). Mas é um regresso, e aí é que está a magia toda, ao que de bom existia no (exacto, link outra vez). Um regresso ao convívio com os meus colegas jornalistas. De facto, esse convívio foi o que, durante muito tempo, ainda me prendeu ao jornal. É que, apesar de tudo, éramos uma família lá dentro. E as famílias, já se sabe, acompanham-nos para sempre. Por isso mesmo, escrever aqui é uma forma de estar novamente perto das pessoas que, ao longo de nove meses, me foram próximas mais do que o suficiente para que hoje, ao olhar para trás, ao olhar para esse espaço da minha vida, apenas delas sinta falta.
E pronto, chega ao fim o meu primeiro post. Está um bocado lamechas, mas despedidas e reencontros dão nisto.
Nos próximos posts... hmmm.... vou ao meu baú Kodak, o do “para mais tarde recordar”... Tá cheio de entulho, episódios surrealistas vividos “on the road” e na redacção mesmo. O (link pela última vez) no seu melhor! Hasta!

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terça-feira, abril 13, 2004

Depois da tempestade... 

...vem a bonança, diz o povão e com razão! Depois de 6 (SEIS) dias a trabalhar que nem um mouro, um momento de aparente acalmia... Hoje de manhã saí com o "Puto" e a coisa nem correu mal, para mal dos nossos pecados... Enfim, de tarde foi só ler prints e fechar cadernos... Amanhã o dia é, como diz Zuela, "cromolivre"... pode ser que tenha sorte... Sua Majestade a Rainha do "chega às 6 e toca a dar de frosques" anda toda contente... mas se as coisas correram bem, não foi graças a ela. Quero só ver se no final vamos ser compensados... Talvez seja melhor esperar deitado porque se esperar sentado, vou ficar com o cu quadrado!!!...

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segunda-feira, abril 12, 2004

Graças a Deus... 

Ufa...
Cheguei a casa por volta das 10 da noite... Isto lá é hora de se sair de um emprego, digno desse nome???
O melhor vai ser o dia de amanhã: vou o dia todo para a Covilhã, sozinhinho, sem cromos para me chatearem a cabeça. E, o melhor é que vou no pópó novo do pasquim, com ar condicionado e tudo. Digam lá que não mereço!!!
Como se isto tudo não bastasse, não vou ouvir as vozes estridentes daquela "gente" que paira pelo pasquinzinho...
Até ao meu regresso, caros colegas... e aguentem-se sem mim!!!

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Fecha Cadernos III - O regresso dos Guerreiros 

Depois de três dias sem fazer ponta de um corno (que isto é mesmo assim: ou se trabalha ou se está de fim-de-semana prolongado..) vejo-me novamente preso a um teclado, onde ferozmente os meus dedos insistem em tocar. Ainda agora cheguei e já estou farto de ver estas teclas perladas de branco com sinais a negro que insistem em olhar para mim com ar de gozo...
Muda o disco e toca o mesmo, diz o povo com razão... e assim é! Muda a semana mas a crise continua instalada, com cadernos atrás de cadernos a serem fechados... Mas, para piorar a situação ( e vós que pensáveis que pior era impossível...), Sua Majestade, a Rainha do "Chega às 6 e toca a dar de frosques", tá de volta...
Não há juízo que aguente... A ver vamos se conseguimos sobreviver a mais um dia de labuta... que é dia filho da puta...

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quinta-feira, abril 08, 2004

Socorro 

Já passa das 9 da noite. É véspera de feriado; estamos a 3 dias da Páscoa e eu aqui enfiado, nesta espelunca, rodeado de cromos...
Socorro... tirem-me deste filme...

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Semana 

Ainda bem que o fim-de-semana, esta semana, chega mais cedo. Estou farto, fartinho de aturar esta cambada de energúmenos que me apelidam de colega. Ainda não parei um minuto esta semana e, a que se avizinha, promete ser melhor. Estamos com falta de pessoal, mas que interessa isso? Estes anormais continuam a marcar entrevistas, cada uma melhor do que a outra, e as datas de fecho dos cadernos estão em cima do joelho.
Apetece-me parar com tudo. Deitar tudo para trás das costas. Gritar bem alto e ver-me livre desta cambada toda.
Alguém conhece, só por um acaso, uma bruxa que seja eficiente? Também pode ser um bruxo, não me importo. E, acima de tudo, que faça uns servicinhos a partir de fotografias. Temos aqui umas excelentes destes cromos. O trabalho é simples e limpo: uma diarreia pegada durante três dias seguidos. Já me contentava e era da maneira que pedia as minhas tão desejadas férias…

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Ó tempo, volta para trás... 

...dá-me a vida que perdi...
Como diria um grande amigo meu, "Só me apetecia ganir!!"
A vida na redacção tem estado de tal forma ocupada que só escrevendo em casa é que temos hipóteses de fechar cadernos atempadamente...e, por outro lado, de conseguir bater qualquer coisa para meter neste blog.
Desde sexta-feira que não temos parado um minuto. Da minha parte, esta semana tem sido "entrevista de manhã, para fechar à tarde, entrevista de manhã, para fechar à tarde"! Desde sexta!!! Quase uma semana metido nesta merda...
Claro está que depois os ânimos ficam exaltados, os nervos fluem à flor da pele, e nós, que estamos a trabalhar que nem pretos (sem ofender ninguém, claro está!...) não temos a mínima paciência para aturar a corja de "atrasados-mentais-cromos-filhos-de-uma-grande-puta-cavalos-porcos-bois-paneleiros" que insistem em moer-nos o juízo! Para eles tudo é tão fácil: basta marcar as entrevistas para duas horas antes do fecho dos cadernos e depois o jornalista que se fôda, que fique a trabalhar até às 22h ou às 23h enquantos aqueles "atrasados-mentais-cromos-filhos-de-uma-grande-puta-cavalos-porcos-bois-paneleiros" vão às putas meter os cornos às mulheres, fazendo passar-se por donos do jornal, ou directores do departamento comercial.
Constantemente, abusam da paciência, da ética e do profissionalismo dos jornalistas que, diariamente, labutam incessantemente para terem os trabalhos prontos e não tiram nenhum proveito, nem vêm reconhecido todo o seu esforço, monetária e psicologicamente!
Por isso, do âmago da minha alma, do fundo do meu coração vos digo, "atrasados-mentais-cromos-filhos-de-uma-grande-puta-cavalos-porcos-bois-paneleiros"...


MORREI TODOS DE UMA VEZ, CARALHO!!!!!!!!!!!!!!!!!

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sexta-feira, abril 02, 2004

Eles comem merda, só pode!!!!... 

Trabalhar sobre pressão é uma situação aparentemente normal para um jornalista. Até mesmo ter de, eventualmente e em ocasiões excepcionais, trabalhar aos fins-de-semana e aos feriados. No entanto, não se compreende como é que alguém marca uma sessão fotográfica de Sábado para Domingo à 1h30 da manhã!!!
Mas o gajo anda a comer merda às colheres???? Estes atrasados mentais estão cada vez piores. Caca, meu cromo do caralho, era só quem te fosse ao cu com um pinheiro até cuspires serrim, meu grande cromo!!....

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Atrasado, mas é bem melhor que nada!... 

Ontem, foi um dia do caraças…literalmente…
De amanhã, levantei-me cedo para ir a uma entrevista com o Macaco e com um atrasado mental "cromático" novo, que nunca parou de me chagar a cabeça. Pior, já tem a mania, mas eu tratei logo de o educar, não vá o tipo aguentar a pressão e ficar por lá, feito cromo, perdido numa grande caderneta.
Mal cheguei à redacção, tinha mais uma data de cromos à minha espera. Deviam estar a pensar que eu faço milagres e que lhes resolvo os problemas todos mas, enfim, lá fui aguentando. Devo confessar, porém, que me senti bastante aliviado com a chegada da hora do almoço… De tarde, tive de sair para a selva que é o trânsito, mais uma vez com o Macaco…
Foda-se, que grande seca apanhei, porque, mais uma vez, levamos o cromo da manhã e, naturalmente, lá estava ele, meio perdido no meio da caderneta (quer-me parecer que não terá grande futuro, mas…)
Á chegada à redacção, novos problemas, o mesmo entrevistado. Ainda agora fico a pensar: "Qual foi a parte das 14h30 que a vaca não percebeu??? Devem pensar que somos criados deles, ou o caralho!..."
Enfim, um dia aparentemente normal na tristeza da nossa vida de jornalistas…e a caderneta de cromos a aumentar…


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quinta-feira, abril 01, 2004

Estava eu preparado para me despedir do pessoal, com as minhas coisinhas já arrumadas e ansiando por um pouco de ar puro para respirar quando, surpreendentemente, me informam que "posso continuar a ser colaborador da empresa". Foram estas as palavras que a minha chefe utilizou. Das duas, uma: ou eu estou a precisar de ser internado no Magalhães Lemos ou este mundo anda mesmo avariado.
Despedi-me, é certo. Arrependi-me apenas, única e exclusivamente porque sabia que o meu director não me ia pagar aquilo que eu tinha a receber. E parece que sou mesmo bruxo. Ele tinha mandado dizer que só me ia pagar o ordenado.
E, mesmo assim, eu queria vir embora. Confesso que estou farto disto tudo.
O problema é outro, mais elevado: montes de trabalho e não há gente para o fazer. Contratar mais pessoas? Não. Sobrecarregar os que existem? Sim. Essa é a atitude mais acertada neste jornal.
E, depois disto tudo, lá vou continuar a ser colaborador desta "empresa" até ao mês de Agosto.
Ainda faltam cinco meses??? Cinco penosos meses??? O melhor é eu ir fazendo a minha reserva no Magalhães Lemos. De certeza que me vou internar lá neste Verão...


Alguém tem coragem de comentar isto? Só se for para dizer que sou um grande estúpido...

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